Wednesday, August 29, 2007

Singeleza

A forma mais simples, uma escala adequada à cidade, nenhum pra-quê-isso na fachada, o branco de novo - sempre ele, a vegetação integrada, um edifício em algum lugar da Lombardia, na Itália… A arquitetura às vezes é surpreendente.

 

 

 

 

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Monday, August 27, 2007

Se o de longe…

Se o de longe esboça lhe chegar perto,
se fecha (convexo integral de esfera),
se eriça (bélica e multiespinheta):
e esfera e espinho, se ouriça à espera.
Mas não passiva (como o ouriço na loca)
nem só defensiva (como se eriça o gato);
sim agressiva (como jamais o ouriço),
do agressivo capaz de bote, de salto
(não do salto para trás, como o gato):
daquele capaz do salto para o assalto.

Se o de longe lhe chega em (de longe),
da esfera aos espinhos, ela se desouriça.
Reconverte: o metal hermético e armado
na carne de antes (côncava e propícia),
e as molas felinas (para o assalto),
nas molas em espiral (para o abraço).

Uma Ouriça (João Cabral de Melo Neto)

 

Si lo de lejos esboza llegarle cerca,
se cierra (convexo integral de esfera),
se eriza (bélica y multiespinosa):
y esfera y espino, se eriza a la espera.
Pero no pasiva (como el erizo en la cueva)
ni sólo defensiva (como se eriza el gato);
sí agressiva (como nunca el erizo),
del agressivo capaz de bote, de salto
(no del salto para atrás, como el gato):
de aquel capaz del salto para el asalto.

Si lo de lejos le llega en (de lejos),
de esfera a los espinos, se deseriza.
Reconvierte: el metal hermético y armado
en la carne de antes (cóncava y propicia),
y los muelles felinos (para el asalto),
en los muelles en espiral (para el abrazo).

Una Eriza (João Cabral de Melo Neto)

 

Este é o poema que mais gosto entre todos de todos. Prestem atenção no uso de palavras proparoxítonas e paroxítonas e no ritmo e na melodia que elas dão ao poema. João Cabral é insuperável. Cada palavra é cuidadosamente escolhida e cada uma é um poema em si. Em tempo, também uma versão em espanhol.

 

 

Posted by Bernardo at 23:48:03 | Permalink | No Comments »

Sunday, August 19, 2007

Vôo 3054

Vi isso num blog por aí, e complemento:

Um avião pousa com uma pessoa a mais que a lotação máxima permitida, extremamente pesado, sem um dos reversos funcionando, na chuva, em pista escorregadia, liberada antes de contar com todas as características que deve ter e sem áreas de escape.

Não consegue frear, atinge um prédio da própria companhia, em horário de pico, numa avenida importantíssima que fica ao lado do aeroporto, numa área onde a prefeitura não devia ter permitido nenhum tipo de ocupação. Quem vai preso?

O dono do puteiro!

“Eu sou imoral, devasso, depravado, se você preferir. Mas pago meus impostos e estou em situação legal”, disse a um jornal.

Isso é o Brasil.

 

Posted by Bernardo at 15:57:31 | Permalink | Comments (1) »

Arquitetura do branco 2: Niemeyer (parte I)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O gênio maior. O único brasileiro que, segundo Darcy Ribeiro, será comentado daqui a 500 anos. O arquiteto com mais obras no mundo. 100 anos de vida.

As duas primeiras fotos, em homenagem à quase mineira Amanda, de uma obra em Goiás, mas que bem poderia ser em Minas. As formas e as cores só me remetem à bandeira mineira - Liberdade ainda que tardia. Depois, a Catedral e o Alvorada, com sua igrejinha. Irônico é o fato de um ateu comunista convicto ter criado as igrejas mais belas do mundo.

Por último, o edifício da editora Mondadori, na Itália, que gosto muito. O prédio não toca o chão e é suspenso por cima, através dos pórticos de intervalos de ritmo musical.

Na foto, com outro gênio, o arquiteto mineiro Gustavo Penna, do qual falarei em breve.

Ah, e Niemeyer não cabe num post só.

Posted by Bernardo at 14:08:26 | Permalink | No Comments »

Sonho de consumo 2: Puma GTB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um carro belíssimo, um motor bebedor de 4,1 litros, a mística da Puma. No alto, um GTB vermelho-sangue. Nas fotos do meio, destaque para o desenho da janela lateral - perfeito - e da traseira, com lanternas de Alfa Romeu TI 2300. Por último, uma modificação incipiente, mas promissora e uma foto modificada por mim, mostrando como quero deixá-lo.

 

Posted by Bernardo at 12:53:41 | Permalink | No Comments »

A viúva Adelaide

A república não foi proclamada em praça pública. Veio à luz por um decreto cuja história nada tem de gloriosa. Nela aparece uma personagem quase desconhecida pelos brasileiros, escondida a sete chaves pela historiografia oficial, mas que foi a verdadeira causa da pseudo proclamação: a Viúva Adelaide.

Marechal Deodoro, então, estava no Comando Militar do Rio Grande do Sul. O influente político Silveira Martins ocupava a Presidência da Província. Ambos disputavam os encantos e favores de uma viúva, cujo nome era Adelaide. Parece que ela preferia o Silveira Martins, deixando Deodoro em segundo plano. Por conseqüência, tornaram-se inimigos ferrenhos… Daí, anos mais tarde, a conduta tresloucada do Marechal que não proclamou a república…

Depois da parada que terminou com um “Viva o Imperador“, já em casa, de volta à cama, doente, o Marechal recebeu a visita de um grupo de traidores republicanos que tentou fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república. O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.

De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins, conhecido político gaúcho. Sabiam da inimizade entre os dois. Anos antes, Deodoro havia se apaixonado pela viúva Adelaide. Durou pouco tal paixão. A viuva logo trocou os seus favores pelos do citado Silveira Martins.

Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga amada, Deodoro disse textualmente: “Deixe-me assinar esta porcaria”.

Esta porcaria“, foi a primeira manifestação oficial dos golpistas, esclarecendo que seu objetivo era a decretação
da República provisória.

República por decreto.

Era o primeiro decreto de um governo provisório, constituído sem a aprovação do povo, não representando nada, além do oportunismo golpista.

Seu primeiro artigo dizia: “Fica proclamada provisoriamente, e decretada como forma de governo da nação brasileira a República Federativa.”

Sua divulgação foi lenta, só se tornando verdadeiramente pública depois da expulsão do Imperador.

De fato, as chamadas “causas” da proclamação (que nunca ocorreu) desta República (que não é, e nunca foi) não passam de eventos maquiados pela propaganda golpista (que não menciona a Viúva Adelaide).

São pouco, muito poucos, os que já ouviram falar na Viúva Adelaide. É natural. A historiografia oficial, por motivos óbvios, faz o possível para que seja esquecida.

Como acontece a todos que passam a conhecer os fatos descritos, sente-se a inevitável pergunta: Houve alguma proclamação? Não. A chamada Proclamação da República no Brasil nunca aconteceu.

Posted by Bernardo at 03:55:36 | Permalink | No Comments »

Saturday, August 18, 2007

Arquitetura do branco 1: Siza Vieira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em homenagem ao amigo Leonardo Alves, algumas fotos da obra do português, filho de mãe brasileira, Álvaro Siza Vieira. No fim, um conjunto de prédios na Holanda, onde o branco se mistura ao tijolo aparente (que também gosto), para se harmonizar com o entorno e a tradição local.

 

Posted by Bernardo at 22:57:29 | Permalink | No Comments »

A estrada de Recife a Teresina

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma música que gosto muito, de Chris Rea. Só não sabia que era a parte II. Hahahaha. Vou procurar a parte I. Assista aqui.

The Road to Hell (parte II)

Well I’m standing by a river
But the water doesn’t flow
It boils with every poison you can think of
And I’m underneath the streetlight
Not the light of joy I know
Scared beyond belief way down in the shadows
And the perverted fear of violence
Chokes the smile on every face
And common sense is ringing out the bell
This ain’t no technological breakdown
Oh no, this is the road to hell

And all the roads jam up with credit
And there’s nothing you can do
It’s all just bits of paper flying away from you
Oh look out world, take a good look
What comes down here
You must learn this lesson fast and learn it well
This ain’t no upwardly mobile freeway
Oh no, this is the road
Said this is the road
This is the road to hell

Posted by Bernardo at 22:42:28 | Permalink | No Comments »

O branco, o todo e o vento

A cidade de muros altos
e prédios soltos
não cria ruas nem esquinas
rejeita o conjunto e engana o olho
se faz de partes, não do todo.
O lote refém de si próprio
fechado em seu dentro
cego, surdo, mudo
não conhece seu vizinho
somente o sol e o vento. 
As cores por todo canto 
desfazem da cal da História
e pincelam um pensamento:
sujar o branco do papel
e colorir a cidade, de branco.
(M. Bernardo)
Se a Arquitetura é mesmo a História escrita de pedra, que esta pedra
seja uma pedra branca. Boa arquitetura, para mim, é aquela que é
simples, da quadra, do urbano. E que é branca. O branco é o puro, o
imaculado, a limpeza. É onde a arquitetura começa (o papel) e onde deve
terminar. 
Posted by Bernardo at 22:20:09 | Permalink | No Comments »

Lego!

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma arquitetura que ainda quero experimentar: a arquitetura de conteiner! 

Posted by Bernardo at 19:07:27 | Permalink | No Comments »