A república não foi proclamada em praça pública. Veio à luz por um decreto cuja história nada tem de gloriosa. Nela aparece uma personagem quase desconhecida pelos brasileiros, escondida a sete chaves pela historiografia oficial, mas que foi a verdadeira causa da pseudo proclamação: a Viúva Adelaide.
Marechal Deodoro, então, estava no Comando Militar do Rio Grande do Sul. O influente político Silveira Martins ocupava a Presidência da Província. Ambos disputavam os encantos e favores de uma viúva, cujo nome era Adelaide. Parece que ela preferia o Silveira Martins, deixando Deodoro em segundo plano. Por conseqüência, tornaram-se inimigos ferrenhos… Daí, anos mais tarde, a conduta tresloucada do Marechal que não proclamou a república…
Depois da parada que terminou com um “Viva o Imperador“, já em casa, de volta à cama, doente, o Marechal recebeu a visita de um grupo de traidores republicanos que tentou fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república. O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.
De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins, conhecido político gaúcho. Sabiam da inimizade entre os dois. Anos antes, Deodoro havia se apaixonado pela viúva Adelaide. Durou pouco tal paixão. A viuva logo trocou os seus favores pelos do citado Silveira Martins.
Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga amada, Deodoro disse textualmente: “Deixe-me assinar esta porcaria”.
“Esta porcaria“, foi a primeira manifestação oficial dos golpistas, esclarecendo que seu objetivo era a decretação
da República provisória.
República por decreto.
Era o primeiro decreto de um governo provisório, constituído sem a aprovação do povo, não representando nada, além do oportunismo golpista.
Seu primeiro artigo dizia: “Fica proclamada provisoriamente, e decretada como forma de governo da nação brasileira a República Federativa.”
Sua divulgação foi lenta, só se tornando verdadeiramente pública depois da expulsão do Imperador.
De fato, as chamadas “causas” da proclamação (que nunca ocorreu) desta República (que não é, e nunca foi) não passam de eventos maquiados pela propaganda golpista (que não menciona a Viúva Adelaide).
São pouco, muito poucos, os que já ouviram falar na Viúva Adelaide. É natural. A historiografia oficial, por motivos óbvios, faz o possível para que seja esquecida.
Como acontece a todos que passam a conhecer os fatos descritos, sente-se a inevitável pergunta: Houve alguma proclamação? Não. A chamada Proclamação da República no Brasil nunca aconteceu.